Lince-ibérico
O lince-ibérico (Lynx pardinus) é um felino que existe unicamente em Portugal e Espanha. O povo deu-lhe vários nomes, lobo-cerval, gato-cravo, gato-lince e liberne, e o primeiro é uma armadilha à vista: chama-lhe lobo, mas nomeia um gato. Nenhum caçador o pode caçar; esta página serve para o reconhecer e para perceber como vive.
Identificação
É um carnívoro de tamanho médio: da ponta do focinho à base da cauda mede entre 85 e 110 cm, e a medida exclui de propósito a cauda, muito pequena, com 12,5 a 13 cm. As fêmeas atingem os 14 kg e os machos os 20 kg; são dois números fáceis de trocar entre si. O aspeto geral é o de um gato grande e corpulento, de focinho curto, com a pelagem amarelada e salpicada de pequenas manchas escuras arredondadas.
Dois traços identificam-no de imediato, e o livro trata-os como a assinatura da espécie: os "pincéis" de pelos na ponta das orelhas e as longas madeixas de cada lado da face.

Comportamento e habitat
Em termos alimentares é uma espécie exclusivamente carnívora, e a formulação é exatamente a que o exame usa. A base da alimentação é o coelho-bravo, complementado por roedores, aves e, ocasionalmente, pequenos ungulados, como crias e juvenis de gamo, veado ou javali. Só esporadicamente caça lebres e perdizes, e é aí que mora o distrator: no exame, nem a lebre nem a perdiz são a resposta certa para a base da dieta; o coelho-bravo é.
É fortemente territorial. Cada animal vive numa área individual que oscila geralmente entre 500 e 800 hectares, onde não tolera nenhum outro lince e onde, além disso, reduz a densidade de outros carnívoros que possam ser competidores. São dois efeitos distintos: exclui os da própria espécie e suprime os concorrentes.
O habitat é tipicamente constituído por matagais densos, em áreas de escassa influência humana. E a dependência é tão estreita que funciona como alavanca: o lince escasseia sempre que os matagais são destruídos.

Proteção
O lince-ibérico não é uma espécie cinegética e nunca pode ser caçado, em situação alguma. É uma das espécies mais ameaçadas de extinção: em Portugal sobrevive apenas em pequenos núcleos dispersos pela Beira Baixa, pelo Alentejo e pelo Algarve, de um modo geral em baixa densidade. E tem, a par do lobo, o estatuto legal mais forte de todo este capítulo: o Decreto-Lei n.º 140/99 lista-o duas vezes, no anexo B-II como espécie prioritária e no anexo B-IV entre as espécies que exigem uma "proteção rigorosa", a expressão que o próprio diploma usa para esse anexo.