Cinergética
Configurações

Tema

Novas funcionalidadesBETA

Estes toggles ativam funcionalidades experimentais.

Raposa

O manual chama à raposa (Vulpes vulpes) o mais "doméstico" dos mamíferos de médio porte da fauna bravia portuguesa, e a expressão condensa a espécie: vive praticamente em todo o país e acompanha o homem até aos arredores das cidades. O par com o saca-rabos atravessa toda a página: a lei trata as duas espécies em conjunto, e o questionário do próprio manual pede para as distinguir pelo modo de vida.

Identificação

O corpo mede 50 a 80 cm, a que se soma uma cauda comprida, com cerca de 40 cm. O peso ronda normalmente os 4 a 6 kg. Os machos são mais pesados e, por vezes, distinguem-se por uma cabeça mais forte e menos afilada. Repara no "por vezes": faz parte do facto, e diz-te que a cabeça não é um teste de campo fiável.

Raposa de pé em terreno pedregoso, de perfil, com a cauda comprida e espessa e as patas escuras.
50 a 80 cm de corpo, mais uma cauda de cerca de 40 cm.

A pelagem é muito variável na cor e varia também com a estação: no inverno o pelo é mais espesso e denso do que no verão. Distribui-se por praticamente todo o país, com maior incidência nas zonas rurais, muito embora acompanhe o homem nos arredores das cidades.

Habitat e alimentação

Da planície à montanha, dos maciços florestais aos terrenos agrícolas, quase tudo convém a esta espécie. E a alimentação acompanha o habitat na mesma largueza: come do vegetal ao animal, dos peixes aos mamíferos, e o livro dá às lixeiras o estatuto de fonte de alimento importante. O ecletismo do habitat e o ecletismo da dieta são as duas faces do mesmo animal generalista.

Raposa a atravessar um caminho alcatroado com uma sandes na boca, com uma pega parada atrás dela.
Come do vegetal ao animal, e o que sobra do homem conta como fonte de alimento.

Comportamento e reprodução

É crepuscular ou noturna e é solitária: só se vê em grupos quando os machos perseguem as fêmeas durante o cio.

Raposa sozinha à beira de um matagal seco, parada de perfil a olhar para a câmara.
Anda sozinha. Só se vê em grupos quando os machos perseguem as fêmeas durante o cio.

Entre a raposa e o saca-rabos, o sociável é o saca-rabos.

O questionário do próprio manual pergunta exatamente isto: qual dos dois carnívoros anda em grupo. A raposa anda só; o saca-rabos desloca-se em grupos familiares. Fixa o par, porque é dos contrastes mais fáceis de trocar.

O cio ocorre geralmente em janeiro, e o mês também é pergunta do questionário do livro. A gestação dura 50 a 60 dias e a ninhada traz 3 a 6 crias.

Quando e como se caça

A raposa partilha com o saca-rabos a base dos processos: salto, espera e batida. Só a raposa soma mais dois: o corricão e, nos terrenos ordenados, o abate no decurso de montarias. Lê este último com cuidado: não existe montaria à raposa; o que a lei admite é abater a raposa que aparece no decurso de uma montaria. O chamariz também é permitido na caça à raposa, e o saca-rabos fica de fora.

A janela que a lei permite vai de outubro a fevereiro. Nos terrenos não ordenados, o regime desdobra-se por processo: o salto corre de outubro a dezembro; a batida e o corricão só em janeiro e fevereiro, e só nos locais e nas condições estabelecidos em edital. Quanto à espera, a lei não a nomeia neste desdobramento; do conjunto das regras resulta que corre a janela geral, de outubro a fevereiro. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.