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Galinha-d'água

A galinha-d'água (Gallinula chloropus) é uma ave característica das zonas húmidas, com cerca de 32 cm de comprimento, viva e nervosa, de tom geral escuro. Para o caçador, o interesse dela decide-se em dois pontos: não a confundir com o galeirão, que partilha as mesmas águas, e saber que a sua época de caça é mais longa do que a dele e a dos patos.

Identificação

A identificação rápida faz-se por quatro caracteres: bico vermelho com a ponta amarela, placa frontal também vermelha, uma linha branca ao longo dos flancos e penas subcaudais brancas, facilmente visíveis quando nada ou anda. Fixa o vermelho do bico e da placa, porque é aí que se decide o contraste com o galeirão: nele, bico e placa frontal são brancos.

Galinha-d'água em passo de marcha, com o bico vermelho de ponta amarela e a linha branca no flanco.
Bico vermelho de ponta amarela e placa frontal vermelha: o separador limpo frente ao galeirão.

Há ainda um movimento que a denuncia: em cada avanço, a galinha-d'água inclina a cabeça para a frente e balança a cauda de cima para baixo. E, para levantar voo, corre sobre a água batendo freneticamente as asas até ganhar a velocidade necessária para se elevar, hábito que partilha com o galeirão.

Galinha-d'água parada à beira de água, de tom geral escuro.
Em cada avanço, inclina a cabeça para a frente e balança a cauda de cima para baixo.

Habitat e alimentação

É muito comum em charcos, lagoas, zonas alagadas e cursos de água lentos, em que as margens ofereçam bom coberto vegetal. A alimentação é essencialmente vegetal, embora inclua também invertebrados e mesmo pequenos vertebrados, e é obtida dentro e fora de água.

Comportamento e reprodução

É uma ave bastante esquiva, com uma atividade essencialmente crepuscular. E é pouco sociável: vê-se geralmente isolada, embora nos meses de inverno possa encontrar-se em pequenos grupos. Este número é um separador por si só: os galeirões de inverno juntam-se em grandes bandos; as galinhas-d'água andam sós ou em grupos muito pequenos, e a diferença lê-se mesmo de longe.

Galinha-d'água com uma cria numa lagoa coberta de lentilhas-de-água, junto aos caniços.
Bastante esquiva e de atividade essencialmente crepuscular, procura margens com bom coberto vegetal.

Para nidificar seleciona as zonas de vegetação mais densa. Os ninhos ficam quer ao nível da água quer muito perto da margem e são plataformas de vegetação seca e detritos, construídas essencialmente pelos machos.

A postura é de 6 a 9 ovos. A incubação pode começar com o primeiro ovo, mas normalmente tem início a meio ou no fim da postura. Os 19 a 22 dias contam até à eclosão do primeiro ovo, não da ninhada inteira.

Quando e como se caça

A lei admite três processos na caça à galinha-d'água: salto, espera e cetraria. Sem negaça nem chamariz: essa permissão, nas aves aquáticas, é exclusiva dos patos. A janela que a lei permite vai de agosto a fevereiro, e é esse o traço a fixar: é um mês mais longa do que a dos patos e a do galeirão, que a lei fecha em janeiro.

Nos terrenos não ordenados, os meses de abertura e de fecho, agosto, setembro, janeiro e fevereiro, só abrem à espera e à cetraria, e apenas nos locais e nas condições estabelecidos em edital. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.