Campos de treino de caça
Um campo de treino de caça é uma área destinada à prática, durante todo o ano, de atividades de carácter venatório sobre produzidas em cativeiro. "Durante todo o ano" define o que a autorização pode abranger. Não quer dizer que cada campo esteja aberto todos os dias, porque o seu regulamento fixa o funcionamento concreto.
Há uma distinção que evita metade dos enganos deste tema: o campo é um terreno não cinegético. As atividades têm carácter venatório, mas não são caça comum sobre animais em liberdade natural. É por isso que as espécies usadas no campo são produzidas em cativeiro.
Quem pode instalar
A instalação depende de autorização do ICNF. Podem pedi-la clubes de tiro, associações e clubes de caçadores ou de canicultores e as entidades titulares ou gestoras de zonas de caça, dentro das condições próprias de cada tipo de zona.
Numa , o campo pode ficar dentro da zona ou em terreno não ordenado. Numa zona turística, só pode ficar dentro da respetiva zona. Não pode ser instalado dentro de uma zona municipal, embora a autarquia ou associação que a gere possa pedir autorização para o instalar em terreno não ordenado. Em qualquer caso, a utilização só começa depois de o terreno estar sinalizado.
Há ainda duas vias específicas. O ICNF pode constituir campos para fins didáticos ou científicos e um estabelecimento de ensino pode ser autorizado a instalar um. Para provas de cães e de Santo Huberto há um regime temporário próprio, que não deve ser confundido com a duração de um campo comum.
Atividades de carácter venatório
O nome desta categoria não fica ao critério do utilizador. O despacho que a define inclui as seguintes atividades:
- Exercício de tiro com arma de fogo legalmente classificada como arma de caça, com arco ou com besta.
- Treino de cães de caça e de aves de presa.
- Provas de cães, provas de Santo Huberto e outras provas semelhantes.
- Largadas.
A lista permite treinar aves de presa e cães de caça e usar arma de fogo de caça, arco ou besta no tiro; não autoriza batidas, montarias ou o uso de espécies não cinegéticas e animais silvestres como material de treino.
Pode ainda ser autorizada a formação ou avaliação de pessoas inscritas para o exame da , quando integrada num curso aprovado. As competições de carácter venatório também são permitidas, sob controlo da confederação, federação ou associação competente e com cumprimento do respetivo regulamento.
Documentos dos utilizadores
Fora da formação ou avaliação autorizada para o exame, só um caçador com os documentos legalmente exigidos para caçar pode praticar estas atividades. Há uma exceção expressa: não precisa de licença de caça para utilizar o campo.
A licença de caça é a exceção, não a carta de caçador.
Esta é uma troca frequente no exame. Estar num campo autorizado não apaga a carta, o seguro ou os documentos exigidos para os meios que uses. Retira apenas a licença de caça do conjunto necessário para esta utilização.
Espécies e largadas
No campo só podem ser abatidas espécies cinegéticas criadas em cativeiro. Uma perdiz criada em cativeiro pode, portanto, ser usada numa atividade autorizada de tiro. Uma espécie não cinegética ou um exemplar silvestre não passam a ser admitidos por entrarem no campo.
Largada é a libertação, no próprio campo, de espécies cinegéticas criadas em cativeiro ou de variedades domésticas de pombo-da-rocha para abate no mesmo dia. Fora dos períodos venatórios, é só em campos de treino de caça que pode realizar-se. Não confundas uma largada com um repovoamento: aqui, o abate no mesmo dia faz parte da definição.
Transporte dos exemplares
Quando os exemplares forem abatidos em dias diferentes dos permitidos em terreno não ordenado ou em quantidades superiores às admitidas nesses terrenos, o transporte faz-se com guia emitida pela entidade gestora da zona de caça ou do campo de treino. É a guia que acompanha os exemplares nessas situações.
Recolher o que fica
A responsabilidade não termina no último disparo. A entidade gestora tem de assegurar a recolha dos resíduos resultantes das atividades e os cartuchos vazios têm sempre de ser recolhidos. Para quem usa o campo, a consequência é simples: cada invólucro que sai da arma sai também do terreno.
Nos exercícios com alvos fixos ou móveis, os alvos devem ser biodegradáveis ou recolhidos. Só as estruturas de suporte e os alvos reutilizáveis podem permanecer durante a atividade. O campo serve para repetir gestos e melhorar controlo, não para acumular o rasto de cada sessão.