Galeirão
O galeirão (Fulica atra) é a única ave aquática com plumagem inteiramente negra, excetuando uma barra alar branca que só se vê quando voa. Essa exclusividade faz dele uma identificação fácil no papel, e ainda assim confundível no terreno: com alguns patos, pelo tamanho, e com a galinha-d'água, pela companhia. Os dois contrastes são a matéria desta página.

Identificação
Mede 37 cm, um tamanho semelhante ao de alguns patos, e poderá por vezes ser confundido com eles; separa-o a silhueta, mais maciça. Frente à galinha-d'água, é saliente o seu aspeto mais pesado e menos vivo, mas o separador limpo está na cabeça: o bico e a placa frontal do galeirão são brancos, os dela são vermelhos.

Para levantar voo, corre sobre a água batendo freneticamente as asas, até alcançar a velocidade necessária para se elevar, tal como a galinha-d'água.
Habitat e alimentação
O habitat é semelhante ao da galinha-d'água, embora um pouco mais aberto: pode mesmo encontrar-se na orla marítima, em lagoas e enseadas tranquilas. A alimentação é essencialmente constituída por vegetais, especialmente plantas aquáticas submersas, e, em muito menor escala, por invertebrados, pequenos vertebrados e ovos de outras aves.

Comportamento e reprodução
No inverno, os galeirões são notavelmente gregários e constituem grandes bandos. É o critério do livro para os distinguir mesmo de muito longe das galinhas-d'água, que andam sós ou em grupos muito pequenos: um bando grande numa lagoa de inverno é de galeirões.
Com a aproximação da reprodução, essa sociabilidade desaparece: os galeirões tornam-se combativos e mostram-se extremamente territoriais. O ninho fica geralmente em canaviais ou juncais, tem a forma típica de uma volumosa taça e não raras vezes é flutuante. Constroem-no ambos os sexos, com divisão de trabalho: ao macho cabe o transporte de grande parte do material, à fêmea a sua colocação.
A postura começa geralmente em meados de março e é de 5 a 10 ovos, incubados por ambos os sexos durante 21 a 24 dias.
Quando e como se caça
A lei admite três processos na caça ao galeirão: salto, espera e cetraria. Sem negaça nem chamariz: essa permissão, nas aves aquáticas, é exclusiva dos patos. A janela que a lei permite vai de agosto a janeiro, a mesma dos patos e um mês mais curta do que a da galinha-d'água, que segue até fevereiro.
Nos terrenos não ordenados, os meses de abertura e de fecho, agosto, setembro e janeiro, só abrem à espera e à cetraria, e apenas nos locais e nas condições estabelecidos em edital. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.