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Tordos

Os tordos entram no capítulo como grupo, e o livro trata-os assim: um conjunto bem distinto pelo tamanho e por caracteres comuns, dentro do qual quatro espécies se separam por poucos centímetros e por uma cor de asas. Em Portugal podem encontrar-se quatro espécies de tordos, e o questionário do próprio livro pergunta precisamente quais são e quais delas são migradoras. Saber responder, no papel e no terreno, é o objetivo desta página.

Identificação

O retrato de grupo faz-se em cinco traços: são pássaros de tamanho médio, de aspeto geral acastanhado, com a parte inferior do corpo clara e mais ou menos sarapintada, canto geralmente melodioso e sem distinção entre os sexos. Guarda sobretudo os dois últimos: o canto ajuda a dar por eles, e a ausência de dimorfismo sexual significa que num tordo não perdes tempo a distinguir macho de fêmea. Uma das quatro espécies foge ao traço da parte inferior sarapintada, e o próprio livro assinala a exceção; fica marcada já, porque volta adiante.

Habitat e alimentação

O habitat do grupo está geralmente ligado a zonas arborizadas ou às suas orlas. O bico relativamente fino não é um pormenor decorativo: o livro liga-o diretamente à alimentação, baseada em invertebrados e frutos. A forma do bico conta a dieta, e a dieta explica onde os procurar.

Tordo-comum num prado, com uma minhoca no bico.
O bico relativamente fino liga-se à alimentação: invertebrados e frutos.

As quatro espécies

A tordeia (Turdus viscivorus), também chamada tordoveia, é a maior das quatro, com 26 cm. A parte superior do corpo é cinzenta acastanhada e o peito claro tem pequenas manchas castanhas escuras, arredondadas e bem evidentes. Em voo vê-se a parte inferior das asas de cor branca. Quanto ao estatuto, o livro não fala a uma só voz: o capítulo de biologia diz que é espécie sedentária, e o questionário do próprio livro responde o mesmo; a lista legal das , porém, arruma-a entre as migradoras. Esta página dá-te os dois registos e não escolhe por ti, porque um vem da biologia e o outro da classificação legal.

O tordo-zornal (Turdus pilaris) mede 25 cm, um pouco menos que a tordeia. A cabeça e o uropígio são cinzentos, as costas castanhas arruivadas e a cauda quase preta; em voo mostra, também ele, a cor branca da parte inferior das asas. É espécie invernante em Portugal e vai nidificar nos países do norte da Europa.

Tordo-zornal empoleirado em ramos despidos, com a cabeça cinzenta e o peito sarapintado.
Cabeça e uropígio cinzentos, costas castanhas arruivadas: o tordo-zornal, invernante em Portugal.

O tordo-ruivo (Turdus iliacus) é o mais pequeno das quatro espécies, com 21 cm. Tem sobrancelhas de cor branca amarelada bem evidentes, e é dele a exceção anunciada atrás: a parte inferior do corpo é raiada, e não sarapintada, e o livro faz questão de o dizer contra o carácter comum do grupo. Os flancos e a parte inferior das asas são arruivados, só visíveis em voo. Vem a Portugal passar o inverno e nidifica nos países do norte da Europa.

Tordo-ruivo pousado numa rocha com musgo, com a sobrancelha clara e os flancos arruivados.
Sobrancelha clara bem evidente e flancos arruivados: o tordo-ruivo, o mais pequeno das quatro espécies.

O tordo-comum (Turdus philomelos) mede 22 cm, pouco maior que o tordo-ruivo, e tem a parte superior do corpo de cor castanha. Em voo, a parte inferior das asas é amarela alaranjada. No estatuto há uma nuance que vale a pena guardar: embora em Portugal seja invernante, já existem populações sedentárias a partir do Norte de Espanha. O questionário do próprio livro achata esta nuance e responde simplesmente que o tordo-comum é migrador; a simplificação é do livro, e a nuance também.

Tordo-comum de perfil, com o peito claro sarapintado e o dorso castanho.
Parte superior castanha e, em voo, parte inferior das asas amarela alaranjada: o tordo-comum.

Quatro espécies, quatro cores debaixo das asas.

  • Tordeia: parte inferior das asas branca.
  • Tordo-zornal: parte inferior das asas também branca; separa-se da tordeia pelo tamanho, pela cabeça cinzenta e pela cauda quase preta.
  • Tordo-ruivo: flancos e parte inferior das asas arruivados, só visíveis em voo.
  • Tordo-comum: parte inferior das asas amarela alaranjada, visível em voo.

É este o separador que o livro monta para o grupo inteiro: duas asas brancas, uma arruivada e uma amarela alaranjada. Junta-lhe a escada dos tamanhos, 26, 25, 22 e 21 cm, e as marcas próprias de cada espécie, as manchas arredondadas da tordeia, a cauda quase preta do zornal, a sobrancelha e a parte inferior raiada do ruivo, e tens o essencial do que separa um tordo de outro.

Quando e como se caça

A lei admite três processos para os tordos: salto, espera e cetraria. A janela estatutária vai de outubro a fevereiro. Nos terrenos não ordenados, os meses de janeiro e fevereiro só abrem nos locais e nas condições estabelecidos em edital, e apenas para a espera e a cetraria.

A regra das 16 horas, tal como a proibição de caçar nos locais de passagem, é estatutária e ensina-se no capítulo dos conceitos básicos. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.