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Pombos

Em Portugal há três espécies de pombos com estatuto cinegético, e o livro apresenta-as "com a designação geral de pombos bravos": o pombo-torcaz, o pombo-da-rocha e o pombo-bravo. A armadilha está montada logo no nome. "Pombos bravos" é o coletivo das três espécies; o pombo-bravo é apenas uma delas.

As três partilham silhueta e hábitos, e o livro chega a afirmar que a silhueta e a forma de voo são características e não oferecem dificuldades de identificação. O livro dá separadores espécie a espécie para identificar o pombo que está à frente.

Identificação

Antes de separar, o que é comum. Os pombos têm aspeto robusto, asas pontiagudas, cabeça relativamente pequena, cauda comprida e voo rápido. Normalmente vivem em bandos fora da época de criação e aos pares durante o acasalamento.

A dependência da água, que partilham com a rola, tem um mecanismo preciso por trás: os grãos de que se alimentam são amolecidos no papo. É por isso que é frequente ver os pombos em bebedouros, onde saciam a sede e levantam logo voo. O bebedouro não é um pormenor pitoresco; é uma consequência direta da dieta.

A separação entre as três espécies faz-se com poucas marcas. Uma delas pede vocabulário: o uropígio é o apêndice triangular sobre as últimas vértebras das aves, no qual se implantam as penas da cauda.

  • Pombo-da-rocha: uropígio branco e duas barras pretas nas asas, sobretudo visíveis em voo.
  • Pombo-bravo: sem uropígio branco e sem barras nas asas; identifica-se pelas pontas das asas negras e pelo dorso nitidamente mais escuro que o do pombo-da-rocha.
  • Pombo-torcaz: duas manchas brancas nos lados do pescoço e outras duas nas asas; é também o maior dos três.

Repara na lógica do item do meio: o pombo-bravo começa por se definir pelo que não tem, o uropígio branco e as barras alares do pombo-da-rocha, mas não fica por aí. Tem marcas positivas próprias, as pontas das asas negras e o dorso mais escuro, e é por elas que se identifica. As três espécies voltam a seguir, uma a uma, com o resto da biologia.

Pombo-torcaz de perfil sobre um tronco caído.
O maior dos três pombos, com 41 cm de comprimento.

Pombo-torcaz

O pombo-torcaz (Columba palumbus) é o maior dos três pombos, com 41 cm de comprimento. As duas manchas brancas nos lados do pescoço, somadas às outras duas nas asas, tornam-no facilmente reconhecível em voo.

Cabeça e pescoço de um pombo-torcaz, com a mancha branca no lado do pescoço.
As manchas brancas do pescoço e das asas tornam o torcaz facilmente reconhecível.

Quanto ao estatuto, os registos são dois e convém conhecer os dois. A biologia descreve o torcaz como um migrador parcial: a maioria da população, proveniente do Norte da Europa, visita Portugal durante o outono e o inverno. A lista legal das espécies, por seu lado, arruma-o entre as migradoras. Nenhum dos registos anula o outro; um descreve o comportamento, o outro classifica para efeitos da lei.

Os que criam em Portugal distribuem-se por praticamente todo o território, mas no inverno a espécie concentra-se sobretudo nas regiões com montados de sobro e azinho. O habitat é o das zonas arborizadas, onde se alimenta de bolota e azeitona, embora também procure cereais nas áreas abertas.

Pombo-torcaz a alimentar-se no solo, junto a vegetação.
Zonas arborizadas, bolota e azeitona; no inverno concentra-se nos montados de sobro e azinho.

O ninho é normalmente construído em árvores, a alturas geralmente elevadas. A postura é de dois ovos, raramente um, incubados pelo macho e pela fêmea durante 17 dias.

Pombo-da-rocha

O pombo-da-rocha (Columba livia), com 33 cm, é bastante mais pequeno e esbelto que o torcaz, de quem o separa a ausência das manchas brancas no pescoço e nas asas. Pela positiva, tem duas barras pretas nas asas, sobretudo visíveis em voo, e o uropígio branco. É considerado o antepassado dos nossos pombos mansos.

É uma espécie residente, com uma distribuição alargada a quase todo o país, embora localizada por causa do habitat preferencial: zonas rochosas, incluindo a orla marítima e as áreas adjacentes. A alimentação é à base de grãos e sementes. Aqui não há dois registos para gerir: a lista legal também o arruma entre as sedentárias.

Nidifica nas falésias, ou mesmo em edifícios, geralmente em colónias. O ninho é uma camada delgada de pequenos ramos e raízes, construída por ambos os sexos com divisão de trabalho: normalmente o macho transporta o material e a fêmea coloca-o. A postura é de dois ovos, raramente um, e a incubação dura 17 a 19 dias.

Pombo-bravo

O pombo-bravo (Columba oenas), também chamado seixa, é a espécie que empresta o nome ao coletivo e, por isso, a mais fácil de trocar no papel. No campo, a comparação faz-se com o pombo-da-rocha: tem sensivelmente o mesmo tamanho, mas não apresenta o uropígio branco nem as barras alares negras. Identifica-se pelas pontas das asas negras e pelo dorso nitidamente mais escuro do que o do pombo-da-rocha.

O estatuto repete o padrão do torcaz: a biologia trata-o como espécie residente; a lista legal arruma-o entre as migradoras. Também aqui a página dá os dois registos e não escolhe por ti, porque um vem da observação e o outro da classificação legal.

Das três espécies, é a que apresenta a distribuição menos alargada no nosso país, restrita sobretudo ao interior. O habitat está especialmente relacionado com zonas arborizadas, bosques ou florestas, e a alimentação é à base de grãos, com menor percentagem de bagas e bolotas.

Nidifica geralmente em buracos: de árvores, de edifícios ou mesmo de rochas. As posturas são duas ou três por ano, e este número merece nota, porque o pombo-bravo é o único dos três para o qual o livro o indica. Cada postura é de dois ovos, raramente um, com incubação de 16 a 18 dias.

Ordenamento da espécie

O livro fecha o pombo-torcaz, e só ele, com um bloco de ordenamento. São recomendações técnicas de gestão, não obrigações legais. O bloco organiza-se em dois fatores, a tranquilidade nas dormidas e a alimentação.

Do lado das dormidas, as medidas pedem coberto arbóreo denso com presença de matos, a redução ao essencial da presença e influência humana, com o trânsito rodoviário como exemplo dado pelo livro, e bebedouros acessíveis dentro das zonas de dormida. E o livro é direto: "Nas dormidas não se deve caçar."

Do lado da alimentação, a medida é a existência de montado com grandes áreas limpas de mato, a que se junta a recomendação de não caçar nos locais de alimentação a partir das 15-16 horas.

Esta última linha pede leitura cuidada.

O não caçar a partir das 15-16 horas é um conselho de gestor, dirigido aos locais de alimentação, e vive neste bloco de recomendações. Não é a regra das 16 horas: essa é estatutária, pertence ao horário legal da jornada de caça e ensina-se no capítulo dos conceitos básicos. Um gestor pode seguir ou não o conselho do livro; a regra legal não se escolhe.

Quando e como se caça

A lei admite três processos para os pombos: salto, espera e cetraria. Admite também, expressamente, o recurso a negaças; o chamariz não tem aqui menção própria. A janela estatutária é partida: para o pombo-da-rocha, a lei permite a caça de agosto a dezembro; para o pombo-bravo e o pombo-torcaz, de agosto a fevereiro. Nos terrenos não ordenados, os meses de ombro, agosto, setembro, janeiro e fevereiro, só abrem nos locais e nas condições estabelecidos em edital, e apenas para a espera e a cetraria.

Três condições estatutárias completam o quadro. Em agosto e setembro é proibido caçar pombos a menos de 100 metros de pontos de água acessíveis à fauna e de locais artificiais de alimentação; ao contrário da proibição equivalente da rola-comum, que é absoluta, esta vale só nesses dois meses. O pombo-da-rocha só pode ser caçado nos municípios definidos em portaria ministerial própria, distinta da portaria do calendário. E a regra das 16 horas, tal como a proibição de caçar nos locais de passagem, é estatutária e ensina-se no capítulo dos conceitos básicos. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.