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Algumas raças de cães de caça

O manual do ICNF organiza os cães de caça pelo trabalho para que foram selecionados: cães de pelo e cães de pena. É esta aptidão que interessa reconhecer, porque liga cada tipo de cão à caça em que tende a trabalhar melhor.

Os traços de trabalho reconhecidos numa raça podem tornar essa aptidão mais previsível. Lê isto como um critério prático de escolha, não como uma sentença sobre todos os cães de ascendência mista ou indefinida.

Cães de pelo

O podengo português apresenta variedades grande, média e pequena. O podengo grande tem porte maior e atlético, orelhas direitas e pelo liso ou cerdoso; a aptidão que o exame associa a esta variedade é a caça ao javali. O podengo médio entra no mato e nas silvas, segue caça menor e é vulgarmente chamado "coelheiro", por estar especialmente ligado ao coelho.

O podengo pequeno conserva o tipo geral numa escala menor e é especialmente útil no coberto denso para caçar coelho. Para o exame, junta as variedades pequena e média na associação ao coelho, mas reserva o nome "coelheiro" para o podengo médio.

O fox terrier é um terrier de porte pequeno ou médio, com pelo liso ou cerdoso, usado sobretudo na caça à raposa e, quando ensinado, também ao coelho. Já "baixotes" não designa aqui uma única raça: é o nome funcional de cães de pernas curtas, corpo comprido, andamento lento e persistente, usados sobretudo para seguir a pista de sangue de caça maior ferida e também para o coelho.

O foxhound caça em matilha e é usado em "equipagens". O beagle é um cão de faro pequeno, de orelhas caídas, apto para o coelho. São duas chaves distintas: "equipagem" leva ao foxhound; coelho, entre estas opções, leva ao beagle.

O manual inclui ainda os galgos entre os cães de caça em Portugal e associa o greyhound inglês à caça à lebre a corricão. Esta aptidão vem com um limite legal: os galgos só podem ser usados nessa caça. A regra completa pertence ao capítulo dos conceitos básicos.

Cães de pena

O perdigueiro português é um cão de porte médio e pelo curto. Trabalha perto do caçador, para com firmeza e cobra bem. O manual e o exame apresentam-no como o cão português preferido para a caça de pena. É uma indicação desse enquadramento, não uma classificação universal de todas as raças.

O braco alemão é um cão de parar, bem constituído, que pode ter pelo liso ou cerdoso. O epagneul breton é um cão de parar de porte médio e dócil, que cobra em terra e na água. No exame, a boa corpulência e os dois tipos de pelo identificam o braco. Na pergunta sobre o epagneul, a afirmação correta é que cobra bem nos dois meios.

O pointer é grande, de pelo curto e busca larga. Trabalha de cabeça alta e para com firmeza, sobretudo em terrenos de planície; pode cobrar quando é ensinado. A sua chave é a busca e a paragem, não o trabalho principal de seguir caça ferida.

Os setters são cães de parar de porte médio e pelo comprido. O setter inglês trabalha depressa, para com firmeza e cobra. O setter irlandês, quando ensinado, cobra em terra e na água. O setter gordon distingue-se pela cor preta e afogueada, por ser mais lento e por manter uma paragem firme.

Por fim, cockers e retrievers são usados para cobrar e perseguir caça ferida, sobretudo aves. Aqui volta a importar a função: estes cães entram pela recuperação da peça, enquanto os perdigueiros, bracos, epagneuls, pointers e setters foram apresentados primeiro pela paragem.