Cinergética
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Proibições genéricas

Das faixas e dos lugares passamos às condutas. A lei junta num único artigo uma lista fechada de sete proibições que valem em qualquer terreno, e é por ela que esta secção começa, porque o exame gosta de a testar item a item:

  1. Capturar ou destruir ninhos, covas e luras, ovos e crias de qualquer espécie, salvo quando autorizado.
  2. Caçar espécies não cinegéticas.
  3. Caçar fora das condições legais do exercício da caça.
  4. Caçar nas queimadas e áreas percorridas por incêndios, e nos terrenos confinantes.
  5. Caçar em terrenos cobertos de neve, com exceção das espécies de caça maior.
  6. Caçar em terrenos cercados de água durante as inundações.
  7. Abandonar os animais que auxiliam e acompanham o caçador no exercício da caça.

Três destas já conheces da secção dos locais, porque são estados do terreno: as queimadas, a neve e as inundações, com as suas faixas e os seus 30 dias. A proibição de caçar espécies não cinegéticas tem capítulo próprio, o das espécies não cinegéticas, e é lá que se ensina. Ficam para aqui as restantes três.

Ninhos, ovos e crias

A primeira proibição da lista tem uma palavra que faz toda a diferença, e está escrita na lei exatamente assim: é proibido capturar ou destruir "ninhos, covas e luras, ovos e crias de qualquer espécie". De qualquer espécie: ao contrário de quase tudo neste diploma, esta regra não se limita às espécies cinegéticas. O ninho do pardal vale o mesmo que o da perdiz.

A autorização que a ressalva anuncia é mais estreita do que parece, e a assimetria é o próprio ensino: a proibição cobre qualquer espécie, mas a autorização só pode cobrir espécies cinegéticas, e apenas para estes fins:

  • Fins didáticos ou científicos.
  • Garantir o estado sanitário das populações.
  • Repovoamentos.
  • Reprodução em cativeiro.

Por esta via, não existe nenhum caminho para apanhar os ovos ou as crias de uma espécie não cinegética. E cada autorização tem conteúdo obrigatório, porque determina:

  • As espécies.
  • O número de exemplares.
  • Os processos.
  • Os meios.
  • Os períodos.
  • Os locais.

Fora das condições legais

A terceira proibição é um saco: caçar "fora das condições legais do exercício da caça" apanha tudo o que as outras não nomeiam. Caçar fora do e ultrapassar os contingentes de abate, que o livro apresenta como proibições autónomas, vivem exatamente aqui; a máquina que fixa períodos, processos e limites diários é o calendário venatório, e pertence ao capítulo dos períodos.

Ao lado desta há outra regra com a mesma lógica: em cada época venatória só é permitido caçar as espécies identificadas em portaria. Repara na arquitetura em duas camadas: a lista das espécies cinegéticas vive em anexo à própria lei; a portaria do calendário diz depois quais delas podem efetivamente ser caçadas nessa época. Uma espécie pode ser cinegética e mesmo assim não ser caçável este ano.

Abandono e condução da caça

A última proibição da lista protege os auxiliares vivos do caçador: é proibido abandonar os animais que o auxiliam e acompanham, o cão à cabeça. O exame pergunta-a pela via criminal, e com razão: como verás na secção das infrações, o abandono é um dos comportamentos que a lei pune como crime de caça.

Fora da lista fechada, mas com o mesmo alcance geral, há ainda uma proibição de condução: é proibido enxotar, bater ou praticar quaisquer atos que possam conduzir intencionalmente as espécies cinegéticas de uns terrenos para outros, com exceção das batidas e montarias devidamente autorizadas. A caça alheia não se empurra para o terreno próprio.

O que vive noutros capítulos

Vários condicionamentos gerais que o livro arruma neste capítulo são ensinados onde o assunto tem casa. Os meios de caça proibidos e os limites dos processos de caça, incluindo a caça de salto, estão no capítulo dos conceitos básicos, tal como a proibição de caçar em dias de eleições e referendos. As restrições às armas de fogo, das semiautomáticas às munições, pertencem ao capítulo das armas de fogo na caça; as do arco e da besta ao capítulo respetivo; a caça ao pombo-da-rocha ao capítulo dos períodos. E o furão, cujo regime o livro resume mal, é tratado a fundo na secção das infrações deste capítulo. A secção seguinte trata do que se pode ter, vender e transportar: a caça fora do ato de caçar.