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Corço

O corço (Capreolus capreolus) é o mais pequeno dos cervídeos portugueses. Cervídeos são os mamíferos em que só os machos têm hastes, a armação, mais ou menos ramificada, que cai todos os anos e volta a nascer antes da época do cio seguinte. O macho chama-se corço, a fêmea corça, e o questionário do próprio manual gosta de pedir a ordem crescente de tamanhos dos três cervídeos do país: corço, gamo, veado. De aspeto gracioso mas compacto, com uma capacidade de adaptação das mais notáveis, é um animal que raramente se deixa ver, e é por isso que os sinais de identificação desta página valem tanto.

Identificação

Pesa entre 15 e 30 kg. A armação é pequena e pouco ramificada: os adultos não passam, em geral, das três pontas por haste, e diz-se então que o animal tem uma cabeça de seis pontas, três em cada uma das duas hastes. As pontas têm nomes próprios, ponta anterior, ponta central e ponta posterior, um esquema diferente do que se usa para o gamo e para o veado.

Corço macho visto de frente num prado alto, com a pelagem castanho-avermelhada e a armação pequena, de três pontas por haste.
Corço macho: a armação é pequena e pouco ramificada.

Há uma ideia a desmontar já: a armação do corço não indica a idade. Ao contrário do que acontece no veado, o número de pontas e a forma geral da cabeça dependem mais de fatores como a alimentação, o estado de saúde e o número de animais por hectare do que propriamente da idade.

E quando não há armação para ver?

Como no gamo e no veado, só o macho tem armação. Quando ela falta, ou quando a visibilidade não a deixa ver, o sexo lê-se no escudo anal, a mancha que se destaca da cor geral do pelo na traseira do animal: no macho, o escudo tem forma de rim; na fêmea, forma de coração.

O corço está ativo sobretudo durante a madrugada e o fim do dia, e passa o resto do tempo abrigado, a alimentar-se ou a descansar. Junta a isso um comportamento desconfiado e um terreno que o esconde, e o resultado é um animal difícil de observar, mesmo pelas pessoas que frequentam os locais onde habita.

Corço macho em salto, de perfil, junto à orla de um bosque.
Raramente se deixa ver: um corço em fuga na orla de um bosque.

Habitat e alimentação

O habitat preferido é a alternância: bosques e prados, com culturas e zonas de mato de densidade e altura variáveis. Não é raro encontrá-lo perto de povoações, desde que tenha abrigo adequado por perto; o que o atrai são as culturas à volta das aldeias.

Corço macho num prado alto, com fardos de feno embalados ao fundo.
Prados e culturas atraem o corço, desde que tenha abrigo por perto.

Apesar dessa vizinhança, os estragos que causa não são apreciáveis, salvo raríssimas exceções, porque prefere alimentar-se "aqui e ali" e depende fortemente dos arbustos. A dieta assenta na vegetação arbustiva, como a giesta, a urze e as silvas, e completa-se com frutos caídos no chão, como a castanha, a bolota e a cereja, e com alguns cogumelos.

Comportamento e reprodução

É um animal fundamentalmente solitário: em Portugal não forma manadas, nem sequer no inverno. O questionário do próprio manual junta os dois traços que definem o corço numa pergunta só: dos três cervídeos, o menos sociável e o que pare gémeos com mais frequência é, nas duas respostas, o corço.

É também o único destes cervídeos com uma fase territorial. Começa geralmente em março, com a limpeza do veludo, a pele fina e acinzentada, coberta de pelo muito curto, que protege as hastes durante o crescimento e lhes assegura a circulação sanguínea. O macho delimita então uma área de dimensão variável, através da secreção de glândulas especiais e de marcas feitas com as hastes em arbustos e árvores jovens, e defende esse território contra os outros machos adultos até ao cio.

O cio ocorre entre julho e agosto, em pleno verão, e é a exceção da caça maior: o gamo entra em cio no princípio do outono, o veado no final do verão e princípios do outono, o muflão em novembro.

Os partos, no entanto, só acontecem, geralmente, em maio.

Do cio ao nascimento vão, portanto, cerca de 10 meses, uma gestação anormalmente longa, e a explicação tem nome: implantação retardada. O desenvolvimento do ovo pára logo após a fecundação e só retoma em dezembro ou janeiro, altura em que o embrião mede apenas cerca de 2 cm; daí em diante, a gestação prossegue normalmente. O sentido do mecanismo é este: fazer os nascimentos cair numa estação especialmente favorável em termos alimentares.

A primeira reprodução é possível aos 2 anos. Com alguma frequência nascem duas crias, de sexos diferentes; por vezes nasce só uma; raramente nascem três, e, quando acontece, é nas fêmeas mais velhas.

Quando e como se caça

A lei admite cinco processos para o corço, os mesmos do gamo, do veado e do muflão:

  • Espera.
  • Aproximação.
  • Batida.
  • Montaria.
  • Lança.

O salto fica de fora, a única diferença face à lista do javali. O chamariz é permitido, mas na caça maior a lei só o admite para o veado e para o corço.

A batida e a montaria só podem decorrer de outubro a fevereiro; os restantes processos podem correr toda a época venatória. Nos terrenos não ordenados, a caça a estas espécies só é possível nos casos e nas condições autorizados pelo membro do Governo responsável, um portão mais apertado do que o edital que serve a generalidade das outras espécies. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório.