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Rola-comum

A rola-comum (Streptopelia turtur) é da família dos pombos, mas passa em Portugal apenas parte do ano: chega de África na primavera, nidifica cá e parte no fim do verão. Ao caçador interessa por duas razões. Em voo, confunde-se com os pombos, e não há prancha que a identifique por ti. E o seu regime de caça é, atualmente, um caso à parte entre as , decidido época a época por um mecanismo que nenhuma outra espécie deste capítulo tem.

Identificação

Pousada, parece um pombo em ponto pequeno: mede cerca de 28 cm de comprimento, é mais pequena do que os pombos e tem uma silhueta mais esbelta. Em voo, dois sinais completam a separação: o batimento de asas, mais irregular do que o deles, e a cauda negra com uma barra terminal branca. Fixa estes dois sinais de voo: como a rola se caça de espera, é quase sempre uma ave em voo que tens de identificar, e são eles que fazem a identificação no campo.

Rola-comum pousada num poste, de silhueta esbelta, com o dorso ruivo e a risca listada no lado do pescoço.
Cerca de 28 cm: mais pequena do que os pombos e de silhueta mais esbelta.

Migração

A rola inverna no continente africano e vem nidificar à Europa, espalhando-se até ao sul da Escócia e ao norte da Alemanha. A entrada dá-se a partir do mês de abril. A partida faz-se de fins de julho a fins de setembro, e mesmo princípios de outubro, para a área de inverno na África tropical, da Gâmbia e do Senegal ao Sudão e à Eritreia; as grandes entradas nesses países dão-se em meados de setembro. Guarda estas datas: vão voltar a aparecer no fim da página, quando se falar da época de caça.

Habitat e alimentação

O habitat típico são matas densas alternando com campos abertos, como searas e pastos. A alimentação é essencialmente granívora: sementes de plantas espontâneas e de cultivo, como o girassol e a tremocilha, e cereais. Também come insetos, embora em pequena percentagem.

Rola-comum a caminhar em terreno seco, com as penas das asas ruivas orladas de escuro e as riscas pretas e brancas no pescoço.
Essencialmente granívora: procura no chão sementes de plantas espontâneas e de cultivo.

Comportamento e reprodução

As rolas veem-se normalmente aos pares ou em grupos muito pequenos. São aves tímidas, mas fazem-se ouvir de forma notável na época de acasalamento. O ninho é construído rudimentarmente, com gravetos entrecruzados, em árvores várias, silvados, tojos e arbustos diversos. A postura é de dois ovos, raramente um, e a incubação, repartida por ambos os sexos, dura 13 a 14 dias. Os primeiros ninhos aparecem em maio, mas o calendário da reprodução não fecha aí.

Em princípios de agosto ainda há ninhos com ovos ou com juvenis.

Guarda também este facto: é ele que sustenta o aviso com que o livro fecha a espécie, já a seguir.

Ordenamento da espécie

O livro fecha a espécie com um bloco de gestão, e tudo o que aí está são recomendações técnicas, não obrigações legais. Começa por explicar os chamados "anos bons e maus de rolas": os efetivos variam com os fluxos de migração e com as taxas de sobrevivência pós e pré-nupcial, isto é, com quantas aves sobrevivem antes e depois da época de reprodução.

As recomendações vão em dois sentidos. Culturas atrativas, comedouros e outros dispositivos que concentrem rolas com fins venatórios são desaconselháveis: contribuem para um abate excessivo e alteram a estrutura da população, nomeadamente a relação entre adultos e juvenis, em desfavor destes. No sentido positivo, recomenda-se a manutenção e a criação de sebes vivas com estrato arbóreo e arbustivo bem desenvolvido, que são os habitats preferenciais de nidificação.

O bloco traz ainda um aviso de biologia, e é o tal que os ninhos de agosto preparam: o período de caça sobrepõe-se à última fase da reprodução da espécie. Como esse período se define, e em que condições abre, é o assunto do bloco final.

Quando e como se caça

A lei admite um único processo para a rola-comum: a espera. A janela que a lei permite tem dois meses, agosto e setembro. Dentro dela vale uma proibição absoluta: não se pode caçar rolas a menos de 100 metros de pontos de água acessíveis à fauna nem de locais artificiais de alimentação, e esta proibição vale sempre, sem limite de meses. Repara como a regra e o bloco de gestão apontam na mesma direção: o livro desaconselha os dispositivos que concentrem rolas; a lei proíbe caçar junto deles. Nos terrenos não ordenados, a caça à rola só é possível nos locais e nas condições estabelecidos em edital, e sem qualificador de mês: o edital cobre a janela toda.

O envelope da lei, porém, é só metade da história. Em cada época venatória só podem ser caçadas as espécies identificadas na portaria do calendário venatório, e a rola-comum mostra este mecanismo em ação: houve épocas recentes com a caça à rola fechada e, atualmente, o regime é condicional. A espécie só pode ser caçada quando a portaria o determina, e as condições concretas de cada época, os dias, a quota e o horário, são fixadas por deliberação do conselho diretivo do ICNF e publicadas em icnf.pt, ao abrigo de um plano de caça adaptativa com uma quota anual nacional de abate. Antes de caçar rolas, é aí que tens de confirmar se a época está aberta e em que termos.

Uma coisa não muda: qualquer deliberação opera dentro do envelope estatutário, a espera, agosto e setembro, os 100 metros, o edital nos terrenos não ordenados. As datas e os limites concretos de cada época estão na portaria do calendário venatório e, nos terrenos não ordenados, nos editais.