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Conceitos básicos sobre armas de fogo

Os conceitos básicos sobre armas de fogo são três coisas: o ciclo de fogo, as partes essenciais que constituem a arma e o funcionamento básico. O ciclo de fogo e os nomes das peças são matéria do capítulo dos conceitos e classes, porque são definições da lei e é delas que depende a classe da arma. Aqui interessa o resto: que peças tem cada tipo de arma e o que se move em cada uma delas.

As partes essenciais, tipo por tipo

As armas de caça repartem-se por três arranjos, e cada um tem a sua lista:

  • Espingarda de canos justapostos ou sobrepostos, de alma lisa: coronha e caixa de mecanismos, canos e fuste. São três grupos e é por eles que a arma se separa quando se desmonta.
  • Espingarda semiautomática, de alma lisa: culatra, coronha com caixa dos mecanismos de disparar, ejetor e porta-cartuchos (o tubo carregador), cano, fuste ou guarda-mão e tampa do carregador. A peça nova em relação à anterior é a culatra, e é ela que faz o trabalho que nas outras é feito pela mão.
  • Carabina, de alma estriada: carcaça e cano, mecanismo de disparar e aparelho de pontaria, mais a culatra móvel, que é a peça que o atirador manobra a cada tiro.

Tiro a tiro, repetição, semiautomático

Uma arma de tiro simples, ou tiro a tiro, não tem carregador nem depósito. O atirador tem de introduzir manualmente cada munição na câmara antes de disparar. É o caso das espingardas de um só cano sem funcionamento semiautomático, das espingardas de canos justapostos ou sobrepostos e de algumas carabinas. Vale sublinhar isto, porque é onde o exame apanha muita gente: uma caçadeira de dois canos leva dois cartuchos, mas não é uma arma de repetição, é uma arma de tiro a tiro que tem duas câmaras. Não há nenhum sítio de onde um terceiro cartucho possa vir.

No tiro de repetição todas as operações são feitas manualmente e cada disparo exige a ação do atirador. A arma tem carregador ou depósito e é ao manipular a culatra que o atirador transporta a munição desse carregador para a câmara. Quem faz o trabalho é a mão; o que o carregador acrescenta é não ter de pegar num cartucho de cada vez.

No tiro semiautomático, depois de a munição estar na câmara, todas as ações são realizadas sobre o gatilho, e a arma não pode, com uma única ação sobre o gatilho, produzir mais do que um disparo. O que é automático nesta arma é a manobra da culatra, não o disparo. Uma arma que dispare vários tiros com uma só pressão no gatilho é automática, e as armas automáticas são da classe proibida.

A alma manda no resto

O interior do cano decide o tipo de arma e arrasta atrás de si a classe. Uma arma longa de cano de alma estriada é uma carabina; uma arma longa de cano de alma lisa é uma espingarda. A razão é mecânica. As estrias forçam o projétil a rodar sobre o seu eixo, e é essa rotação que o estabiliza e lhe dá precisão, o que só funciona com um projétil único. Uma alma lisa não tem nada que faça rodar o projétil, e é exatamente por isso que pode lançar uma carga de muitos chumbos sem a desfazer.

Daí vem o resto: a carabina só está apta a disparar projétil único e alcança mais longe com mais precisão; a espingarda dispara uma chumbada, e também pode disparar bala. As letras das classes constam da lei e são tratadas no capítulo dos conceitos e classes, mas a lógica por baixo delas é esta.

Nem toda a arma é arma de fogo

Uma arma de fogo é um engenho portátil, com cano, apto a disparar projéteis pela ação de uma carga propulsora combustível. Um aerossol de defesa homologado é uma arma da classe E e não é uma arma de fogo: não tem cano, não tem câmara e não tem carga propulsora. Por isso não tem ciclo de fogo nenhum, e perguntar se é semiautomático ou de tiro a tiro não tem resposta possível. É um cuidado que vale a pena ter nas perguntas de identificação de armas: antes de escolher o ciclo de fogo, veja se a coisa que está a olhar dispara projéteis com pólvora.