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Receção e entrega da arma

Passar uma arma a outra pessoa é o momento em que duas pessoas partilham a responsabilidade pelo mesmo objeto, e é por isso que tem regras próprias. É também o gesto em que a confiança faz mais estragos: quem entrega diz que está descarregada, quem recebe acredita, e ninguém verificou nada.

As condições

Só se devem receber ou entregar armas abertas, ou com a culatra fixa na posição mais recuada de forma que fique visível a câmara de explosão, e com o mecanismo de segurança acionado. O carregador vai fora do respetivo alojamento e, por norma, sem munições. Se o carregador ou o depósito estiver municiado, deve ser feita referência clara a esse facto: dizer é obrigatório, e não é o mesmo que a outra pessoa poder deixar de verificar.

Seguidamente, quem recebe realiza as restantes manobras de segurança. Não é desconfiança da outra pessoa, é o procedimento, e é o que a lei manda: a receção, a devolução e a guarda de armas são precisamente uma das ocasiões que obrigam a procedimentos de segurança, ao lado da limpeza, do início e fim de sessão de tiro, da avaria e de qualquer situação em que não haja certeza sobre o municiamento.

Repare que são três atos e não dois. Além de receber e de entregar, a lei nomeia a guarda. Arrumar a arma no fim do dia é, por si só, um dos momentos em que a sequência é devida, mesmo que ninguém esteja a passar a arma a ninguém.

A responsabilidade é dos dois

O recebedor e o entregante são igualmente responsáveis pelo cumprimento destes procedimentos. Vale a pena parar nesta frase, porque desfaz a ideia mais comum sobre este assunto: entregar mal uma arma não é um problema de quem a recebe, e receber sem verificar não é desculpado por quem a entregou ter dito que estava vazia. Os dois respondem, e a razão prática é simples. Cada um deles tinha, sozinho, tudo o que era preciso para evitar o acidente.

É aqui que o capítulo fecha o círculo que abriu na primeira regra. Sempre que pegar numa arma, abra-a e verifique se está carregada, admita que está carregada até confirmar o contrário, e não confie na memória, nem na sua, nem na de quem lha entregou.