Cinergética
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Forma da trajetória

O projétil não anda em linha reta. Sabê-lo é fácil, perceber a forma exata da curva é o que permite compreender por que razão um tiro cai abaixo do ponto visado, e por que razão os chumbos vão parar muito mais longe do que a distância a que se acertou.

Balística

Balística é a ciência que estuda os fenómenos relacionados com o movimento dos corpos. Aplicada às armas de fogo, é a ciência que estuda os fenómenos relacionados com os projéteis, desde que são iniciados até que atinjam qualquer corpo ou alvo. Divide-se em quatro ramos, e a divisão é geográfica: cada ramo trata de um troço do percurso.

  • Balística interna: os fenómenos que ocorrem durante o percurso do projétil no interior do cano.
  • Balística de transição, também dita intermédia: os fenómenos e as forças que afetam o projétil à saída do cano.
  • Balística externa: os fenómenos e as forças que afetam o projétil depois de sair do cano e durante o seu movimento na atmosfera.
  • Balística terminal, ou dos efeitos: o movimento e os resultados provocados pelos projéteis depois de terem chocado com o alvo.

O que é a trajetória

Trajetória é a curva descrita pelo centro de gravidade do projétil no seu movimento de rotação, translação e oscilação através da atmosfera. Tem origem na boca da arma, no momento em que o projétil abandona a alma, e é afetada por dois elementos apenas: a força da gravidade e a resistência da massa de ar da atmosfera.

Como se forma a curva

Quando se dispara, depois de se ter incendiado a pólvora existente dentro do cartucho, a combustão produz instantaneamente uma massa de gases que impele o projétil para diante. É a força de projeção. Forçado pelos mesmos gases, o projétil percorre o cano, onde as estrias lhe imprimem um movimento de rotação em torno do seu eixo. Esse movimento mantém-se ao longo de toda a trajetória e é ele que garante a estabilidade do projétil.

Ao sair da boca do cano, o projétil tende a seguir o eixo do mesmo, a que se chama linha de projeção. Mas, ao faltar-lhe apoio, fica sujeito à ação da gravidade, que atua constantemente sobre ele, impelindo-o para o solo. Desta ação contínua resulta que a trajetória se distancia gradualmente e cada vez mais da linha de projeção. À gravidade junta-se a resistência do ar, que retarda constantemente o movimento do projétil e lhe provoca uma perda constante de velocidade.

Estas duas ações conjugadas dão à trajetória a sua forma característica, que não é a de um arco simétrico. Se imaginarmos a curva desenhada entre o ponto de origem e o ponto de queda, o vértice, isto é, o ponto mais alto, não fica a meio: fica mais próximo do ponto de queda do que do ponto de origem, por ação da gravidade e da resistência do ar. A subida é longa, a descida é curta. E a curva será tanto menos pronunciada quanto maior for a velocidade inicial do projétil.

Linha de mira e linha de tiro

Duas linhas que não se devem confundir, ambas definidas pelo manual a propósito das armas da classe C. A linha de mira é a linha reta que, partindo do olho do atirador, passa pela alça, pelo vértice do ponto de mira e pelo alvo que se pretende atingir. A linha de tiro é o prolongamento do eixo da alma, quando ultimada a pontaria e antes do disparo.

Uma parte do olho, outra parte do cano, e não coincidem. É por não coincidirem que existe um aparelho de pontaria e que ele precisa de ser regulado: apontar é fazer com que estas duas linhas e a trajetória se encontrem no sítio certo, à distância certa.