Manobras de segurança
Manobra de segurança é o nome do procedimento que leva uma arma de um estado desconhecido para um estado que se conhece e em que se confia. Não é uma verificação a olho: é uma sequência fixa, sempre a mesma, que acaba com a arma comprovadamente vazia.
Vale a pena dizer já de onde vem, porque muda a forma de a ler. Ao contrário da maior parte deste capítulo, esta sequência não é uma boa prática recolhida num manual: está escrita no regulamento das carreiras e campos de tiro, que é um diploma, e que diz expressamente que as suas regras se destinam aos atiradores. Quem frequenta uma sessão de tiro, incluindo a do curso de formação, está dentro dele.
Quando se executam
São cinco as ocasiões, e o exame pergunta-as de várias maneiras com a mesma resposta: todas. Executam-se procedimentos de segurança quando não exista a certeza relativamente ao municiamento da arma; quando se proceda à receção, devolução e guarda de armas; quando se proceda à limpeza da arma; quando se inicie ou termine a sessão de tiro; e quando ocorra uma avaria na arma.
Repare que a segunda ocasião tem três atos, não dois: receber, devolver e guardar. Arrumar a arma é, por si só, um dos momentos. E a última ocasião é entendida em sentido largo pelo manual da PSP, que lhe junta as situações capazes de prejudicar o normal funcionamento da arma, como quedas, pancadas fortes, ou a introdução de objetos nos mecanismos móveis ou no interior do cano, do género areia ou lama.
A primeira ocasião é a mais larga de todas, e está escrita na lei exatamente assim: quando não exista a certeza relativamente ao municiamento da arma. É a que apanha o caso da arma abandonada que se encontra no terreno. Não há certeza nenhuma sobre o municiamento de uma arma que não foi você a pousar, e por isso o procedimento é o mesmo que perante uma avaria. Sempre que não se sabe, a resposta é a sequência.
A sequência
A ordem não é decorativa nem é opinião de ninguém: é a ordem do diploma. Cada passo pressupõe o anterior, e é por isso que o exame apresenta a mesma lista baralhada para ver quem sabe onde ela começa. Começa sempre pelo dedo e pelo cano, ou seja, pelas duas coisas que tornam o resto seguro, e só depois toca em munições.
- Manter o dedo afastado do gatilho e fora do guarda-mato.
- Manter a arma sempre apontada numa direção segura.
- Colocar a arma na posição de segurança, quando isso for possível.
- Retirar o carregador do seu alojamento, ou as munições do tambor, do depósito ou da câmara da arma.
- Fixar a corrediça ou a culatra na posição mais recuada, ou abrir a arma pela báscula, ou abrir o tambor, consoante o tipo de arma.
- Verificar, por inspeção, que não existe qualquer munição na câmara. Nas armas que tenham janela de ejeção, a inspeção é visual e física, introduzindo o dedo mínimo na entrada da câmara.
- Libertar a corrediça ou a culatra, permitindo que passe para a posição mais avançada, ou fechar a arma.
- Acionar o mecanismo de segurança para a posição de fogo.
- Premir o gatilho com a arma apontada numa direção segura.
- Acionar o mecanismo de segurança para segurança ativa.
- Colocar a arma no coldre, ou manter a culatra na posição mais recuada ou a arma aberta, consoante os casos.
Dois destes passos são acrescento do manual da PSP e não constam do diploma: o que destrava a arma antes de se premir o gatilho e o que volta a travá-la depois. O regulamento não legisla o mecanismo de segurança à volta do gatilho, e nada nele os contraria, por isso ficam aqui onde o manual os põe.
Se tiver de fixar quatro passos, fixe os quatro primeiros pela ordem certa: dedo afastado do gatilho e fora do guarda-mato, arma apontada numa direção segura, arma na posição de segurança, e só então retirar o carregador ou as munições. Repare também no fim da sequência: prime-se o gatilho com a arma apontada numa direção segura, e a arma fica no estado em que começou, aberta ou de culatra recuada.
Numa arma de báscula
Duas notas para quem tem uma caçadeira, que é o caso da generalidade de quem tira a licença para as classes C e D. Os passos que falam em fixar a corrediça ou a culatra na posição mais recuada e depois em a libertar estão escritos a pensar em armas que as têm. Numa espingarda de canos justapostos ou sobrepostos não há culatra para recuar: abre-se a arma pela báscula e, mais à frente, fecha-se. O diploma prevê os dois casos, e é por isso que os passos aparecem aqui com as duas hipóteses.
A segunda nota é sobre a posição de segurança, que o diploma pede quando for possível. Nem todas as armas têm um mecanismo de segurança acionável naquele momento, e a lei não exige o impossível. O que não muda em arma nenhuma são os dois primeiros passos: o dedo e a direção do cano não dependem do modelo.